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Foi assim…

junho 5, 2009

walter

“Foi assim!
Como um resto de sol no mar
Como a brisa da preamar
Nós chegamos ao fim…

Foi assim!
Quando a flor ao luar se deu
Quando o mundo era quase meu
Tu te foste de mim…

Volta meu bem. Murmurei!
Volta meu bem. Repeti!
Não há canção nos teus olhos
Nem há manhã nesse adeus…

Horas, dias, meses se passando
                                             E nesse passar uma ilusão guardei
                                             Ver-te novamente na varanda
                                             A voz sumida em quase em pranto
                                             A me dizer, meu bem, voltei!…

                                             Hoje esta ilusão se fez em nada
                                             E a te beijar outra mulher eu vi
                                             Vi no seu olhar envenenado
                                             O mesmo olhar do meu passado
                                             E soube então que te perdi…”

                                             (Paulo André e Ruy Barata)

Lágrimas nos olhos.
Palavras tiradas a fórceps!
Assim recebi a notícia de tua partida.
O timbre da tua voz ressoa em meus ouvidos e o tom de tuas gargalhadas reverbera nos dias passados em tua companhia.
 
Ensinaste-me a falar com a tua calma e docilidade, ao mesmo tempo em que agias firme para meu crescimento.
Fizeste-me enxergar minhas fragilidades, com um simples fechar de olhos, expondo a todos aquilo que de mais belo desvendaste.
Ajudaste-me a descobrir beleza no teu jeito escachado de ser e percebi o quão frágil eras.
Deixaste-me navegar por tua voz tão conhecida, apreciando o que para muitos era escuso.
 
É difícil te conceber calado, mudo e sem o teu rebolado acompanhado de palavras não tão elegantes, mas que em tua boca viravam sinfonia perfeita.
Impossível não associar-te a noite, a boemia, a cafés e, lógico, ao cigarro.
[a tua arma suicida!]
 
Partiste desse mundo, mas no meu permanecerás vivo, com nossos beijos técnicos carregados de sentimentos reais e encenações recheadas de legitimidade que só nós sabíamos os porquês.
Por isso a bandeira que hasteio hoje é a tua, Bandeira, a de viver a vida para depois cantá-la, e de preferência começando com “Foi assim…”
 
Beijos na alma!