Archive for the ‘Devaneios’ Category

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Retornando

abril 15, 2010

A tempos não venho por aqui.

Muita coisa aconteceu. Chegadas e partidas. Encontros e desencontros. Certezas e dúvidas. Idas e vindas. Novos mundos, nova cultura, novas linguas, novos amigos, novas paixões.

Tantas coisas para escrever que as palavras, por pressa de sairem, acabam se amontoando e impedindo a construção dos sentidos. Porque no final, tudo foi sentido sem poder ser muito explicado, apenas sentido.

Um misto de felicidade extrema com desespero de querer voltar no tempo  para melhor aproveitar tudo. E mais uma vez, de novo e novamente poder sentir a alegria gritando através do sorriso estampado no meu rosto.

Prometo tentar, mas perdoem-me se eu não conseguir fazê-los tão feliz como me sinto agora.

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Carta de Natal

janeiro 4, 2010

Deixei meu sapatinho, na janela do quintal.
Papai Noel deixou, meu presente de Natal.
Como é que Papai Noel, não se esquece de ninguém.
Seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem.
Seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre sem.

 

Querido Papai Noel,
 
Essa cartinha pode parecer atrasada, mas não é.
Não venho pedir nenhum carrinho, afinal o que me deste há dois anos me serve muito bem ainda hoje.
Também não vim pedir patins, pois meus pés têm corrido o suficiente pra que não seja necessário mais rodinhas do que neles já puseram.
Bicicletas também não fazem parte da minha lista de presentes, pois ultimamente o único exercício que tenho praticado é um alongamento chato chamado RPG.
Uma Boneca seria um excelente pedido. Mas só se fosse com nome e sobrenome, e que pudesse  falar, comer, respirar, andar e crescer de verdade…
Essa cartinha quer mesmo é agradecer.
Agradecer pelo Natal maravilhoso que o senhor me deu mesmo sem eu ter a mínima intenção de que assim fosse.
Agradecer pelo sorriso plantado em meu rosto, enraizado há anos atrás e regado com muito amor.
Agradecer pela paciência que tive com alguns e pela solidariedade que tive de outros.
Pela disponibilidade de onde menos se espera e pelo esquecimento por quem mais queria ser lembrada.
Agradecer pela vida e pela vinda… de coisas que chegaram sem eu nem mesmo saber o porquê.
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De repente 33

setembro 27, 2009

E eis que chegou o dia:  TRINTA E TRÊS!

Assim mesmo, em maiúsculo e bem sonoro, como aqueles solicitados pelos médicos para ouvir alguma coisa que eu nunca descobri o que é.

E é bem assim,  sem querer descobrir o que há de se diagnosticar com a chegada dos trinta e três anos, que começo a escrever. Sei que pelos registros encontrados, trinta e três é um número de bom agouro e explorado pelas sociedades secretas desde a antiguidade.

O número trinta e três também é conhecido pela idade de Cristo e de Alexandre, o grande. E por isso talvez represente, para alguns, um ápice.

Mas eu prefiro destacar que trinta e três é o numero de vértebras que um ser humano tem ao longo de sua coluna, assim lembro-me de toda a “coluna vertebral” criada pelas experiências vividas nesses trinta e três anos. Base para a minha sustentação.

E assim como as trinta e três vértebras da coluna, os meus trinta e três anos são constituídos de materiais fibrosos e gelatinosos: Dúvidas, medos, incertezas, decepções e tristeza que deixam a vida um pouco mais “fibrosa”, mas também crenças, descobertas, aventuras e alegrias, que desempenharam a função de amortecer e me alavancar até hoje. Por isso meus trinta e três anos também servem de apoio para as outras partes do meu esqueleto, e me ajudam a sustentar os próximos anos que vierem.

Mas eu, como legítima Remista (também com R maiúsculo), não poderia deixar passar a oportunidades de lembrar que trinta e três também é tabu.   O maior regional do Brasil, no futebol. Onde o meu time do coração, Clube do Remo, ficou 33 jogos sem perder para o timinho (Paysandu), entre 1992 e 1997.

Como vocês podem ver. Trinta e três é um número auspicioso e quiçá, tempo de marcos  e grandes lembranças.

Feliz trinta e três anos para mim!

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Embates e encontros

setembro 2, 2009

CoracaoNatureza

“E eu cheguei a conclusão de que não se tratava mais de permanecer para fazer o embate, mas de sair para fazer o encontro”

(Senadora Marina Silva, em entrevista ao Jô, dia 31/08/2009, falando a respeito de sua saída do PT para o PV)

 

Eu também estou deixando os embates para trás e indo em busca de encontros
Encontro com a leveza de quem não traz o rancor de algo esperado que não aconteceu.
Encontro com o riso espontâneo que a muito não passava por aqui e que em seu lugar mandava palavras ríspidas saídas de lábios nada carinhosos.
 
Não estou dizendo para desistir dos embates, pelo contrário. Embates são necessários. A luta por uma causa é sempre um ato envolvente, enérgico e eu diria até, entorpecente.
Mas como todo entorpecente, um dia acaba o seu efeito, e não tendo chegado onde se gostaria, o mais sensato é bater retirada e deixar o embate para viver o encontro.
O embate com o tempo cansa. Cansamos dos golpes, das perdas, dos cortes. Corte de sonhos, corte de futuro, corte de alegrias e por isso o encontro parece o ponto de descanso no meio da guerra.
Mas não é para atingir a paz que se faz a guerra? Então agora é tempo de paz, de encontro e não mais de embates.
O da Marina Silva é o encontro com a preservação ambiental, o meu é o encontro com a minha preservação mental!
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De repente

agosto 23, 2009
transa
De repente, olhou-se no espelho e percebeu uma mancha avermelhada em seu ombro esquerdo.
Tocou-a levemente e sentiu um dolorido gostoso e só então lembrou da noite anterior.
 
– Você vai beber? Perguntou ele.
– Não posso, estou dirigindo, respondeu ela (como sempre). Mas de repente completou: – A menos que tenha lugar para dormir aqui.
 
Todos se entreolharam e uma estrondosa gargalhada tomou conta do ar. Ninguém entendeu nada (ou será que todos entenderam tudo?) e ele, meio sem graça, procurou a melhor resposta até dizer: – Tem lugar pro seu carro aqui na garagem. E todos voltaram para suas conversas.
 
Falavam sobre pilantragem, aquela que acontecia recentemente no senado, mas que depois tomou suas variáveis chegando aos relatos de casos verídicos sobre o golpe do rupinol, utilizado em bebidas por prostitutas que roubam seus acompanhantes.
 
Cerveja, vinho, cigarro, jogo do atlético mineiro e outros tipos de drogas. E após muita conversa, estava confusa. Já não sabia se estava fazendo a leitura correta dos sinais que lhe eram emitidos há meses atrás, mas mesmo assim continuou a conversar. Quando de repente ele lhe disse: – Vamos?
– Como assim?
Perguntou ela esperando uma confirmação da resposta. Mas ele parecia tímido demais para lhe falar aquilo que ela queria ouvir.
Continuaram a conversar.
 
Novamente ele disse: – Vamos?
E ela falou. Posso? Gostaria mesmo de conhecer um pouco mais sobre o seu trabalho.
E ele respondeu: Eu disse vamos lá pra dentro.
E agora foi ela quem pareceu tímida demais para responder.
 
Conversaram rapidamente sobre significados, significantes, memórias e o dia seguinte, quando finalmente chegaram a um acordo.
Levantaram-se e foram juntos para dentro e quando a porta se fechou foi como se já soubessem o que ia acontecer. Não apenas por saber, mas era como se já tivessem vivido antes, o que ainda iria acontecer naquela hora.
Cama bagunçada, quarto bagunçado. Uma escuridão quebrada apenas por um pequeno foco de luz que vinha da lâmpada acessa no corredor do lado de fora do quarto.
Beijaram-se como se cada um soubesse exatamente onde deveriam se encaixar e assim fizeram. Encaixaram-se e divertiram-se a noite toda até adormecerem cobertos pela penugem um do corpo do outro.
Quando de repente o despertador tocou. Fora tudo um sonho?
Mas bem que parecia realidade!
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Tiro ao alvo

agosto 17, 2009

alvo

Ainda continuo na correria do trabalho, mas sabes que mesmo em correria as lembranças nos acompanham.

E esta entrou como um tiro certeiro, bem no meio do peito atingindo aquele músculo involuntário sob o qual não temos domínio.

 Lembrei das nossas risadas sinceras por conta de certo brinquedo que ao acertar o alvo, se ganha um prêmio.

O meu prêmio naquele dia foi muito mais que bombons. Foi poder ver em teu rosto o alegre sorriso de quem tinha acertado a felicidade.  E, mesmo parecendo impossível, ao acertá-la, parecia ter capturado-a para sempre.

E foi tão ‘pra sempre’ que até hoje permanece aqui, presente em todas as vezes que passo por aquela barraca de ‘tiro ao alvo’ e vejo você brincando comigo de torcida.

 Boas lembranças.

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Minha vida cigana

junho 8, 2009

“Oh meu amor, não fique triste
Saudade existe pra quem sabe ter
Minha vida cigana me afastou de você
Por algum tempo eu vou ter que viver
Por aqui, longe de você
Longe dos seu carinho e do seu olhar
Que me acompanha já tem muito tempo
Penso em você a cada momento
Sou água de rio que vai para o mar
Sou nuvem nova que vem pra molhar
Essa noiva que é você
Pra mim você é linda
A dona do meu coração
Que bate tanto quando te vê
É a verdade que me faz viver
O meu coração bate tanto quando te vê
É a verdade que me faz viver”

 

Obrigada pela música, pelas canções e pelo som da tua voz, que mesmo de longe ressoa nos teus metais levando-me como cifras para o lado teu!

Estou aí, percebes-me?