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Retrovisores

dezembro 24, 2009

Retrovisor é passado
É de vez em quando… do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde… próximo… seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu
O que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi… calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente
Coisas ficam para trás
A gente só nunca sabe… que coisas são essas

(O Teatro Mágico – Amém)

Mais um voo dos inúmeros a trabalho. Imagino que este seja o penúltimo do ano e por isso, sem querer, o velho balanço do ano vem à mente.

Lembranças às vezes pesadas, como aquelas sacas de cimento. Mas necessárias para uma nova construção.

Direções tomadas erradas e conduções realizadas com perfeição. Às vezes conduzimos facilmente reuniões. Outras parecemos ‘analfabetos’ em dirigir a nossa própria vida.

Metáforas de caminhos e direção.

Para dirigir é imprescindível olhar para os retrovisores. Para sabermos onde estamos, é necessário saber onde estivemos, por onde passamos. E para segurança, é fundamental que saibamos o que há por vir.

Mas quem dirige sabe que o olhar pelo retrovisor é aquele rápido, feito em instantes, pois o essencial é olhar para frente.

Olhar além do pára-brisa e enxergar a estrada que você quer percorrer. Verificar se a direção está correta ou se é necessário desviar. Conferir se a estrada está boa para acelerar mais um pouco, ou se o momento é de atenção e por isso ‘pisar no freio’ é o mais sensato.

Os motoristas de plantão hão de concordar, quando se está dirigindo, a maior parte do tempo estamos olhando para frente.

E constatado isso me pego interrogando porque às vezes insistimos em olhar mais pelo retrovisor que pelo pára-brisa?

Conheço alguém que ultimamente só tem olhado pelo retrovisor. Cego para o que há por vir está perdendo a bela paisagem que se apresenta… Não consegue coordenar o que passou com o que se apresenta pela frente e por isso acha melhor parar ou se ‘desligar’.

Para essas pessoas, cuidado é a palavra indicada. Nem sempre parar é a solução, afinal já dizia Cazuza “o tempo não pára” e quando resolver seguir em frente, o ‘em frente’ só poderá ser visto pelo retrovisor, pois já estará atrás.

Não percamos a oportunidade de enxergar além… Além dos retrovisores, além do tempo, além do habitual.

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