Archive for novembro \03\UTC 2009

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Novo Projeto

novembro 3, 2009
dedos
“Quando não tinha nada eu quis
Quando tudo era ausência esperei
Quando tive frio tremi
Quando tive coragem liguei
Quando chegou carta abri
Quando ouvi Prince dancei
Quando o olho brilhou entendi
Quando criei asas voei
Quando me chamou eu vim
Quando dei por mim tava aqui
Quando lhe achei me perdi
Quando ví você me apaixonei”
(À Primeira Vista – Chico César)

E eu, que nunca pensei em pegar os “Aviões do forró” para me levar a algum lugar, me vi embarcando em uma dança de passos novos que se coordenavam. Parecia a primeira vez que apertava o cinto contra minha barriga e por isso sentia aquele frio de levantar vôo.

Deixar-me tirar os pés do chão sem que ninguém percebesse, e permitir voar para um planeta desconhecido era quase inadmissível, mas raptaste-me sem dar chance de escolher o cativeiro.

Minha testa transbordava a adrenalina dessa viagem que, misturada ao ritmo da dança, denunciava minha excitação mesmo que eu tentasse controlá-la.

A parada gastronômica me fez saborear o doce tatear dos teus dedos em minhas mãos, tão doce que a fome nem percebeu a demora na cozinha ou a confusão dos pratos. Quanto mais tardava, mais gostoso se tornava a espera.

Mal sabia eu que ainda preparavas um banquete que me alimentaria a alma e o ego. Vi beleza em respostas bobas, em sorrisos largos e até em olhares investigativos da mesa ao lado. Tua companhia me bastava!

Mas, como bom engenheiro, planejaste o melhor para o final, sem platéia, sem luzes, sem palco. Porém com muito anseio, sensibilidade e precisão de quem (im)planta projetos, lançaste a pedra fundamental.

Foi dada a partida.

 (Pelo dia 14 de agosto de 2009)
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Viagem interplanetária

novembro 3, 2009

astronave

“E o futuro é uma astronave
que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade,
nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda a nossa vida
E depois convida a rir ou chorar…
Nessa estrada não nos cabe
conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela que um dia enfim
descolorirá…”
(Aquarela – Toquinho)

 

Pegou a astronave sem saber em que direção a levaria, em um dia desses também sem previsão de nada, muito menos de viagens interplanetárias.

Agendada para o que encontraria, antes mesmo de sair de casa deparou-se com o novo através daquela sensação de que se está indo a algum lugar para ‘cumprir tabela’, mas que algo dentro de si chama a atenção que esse dia poderia ser diferente. E foi!

Comprovando que a vida é tão astuta, foi tomada de surpresa. E o espírito, que por si só já é aventureiro, foi confrontado com os desafios surgidos em meio a um programa monótono. Novamente o frio na barriga, novamente empolgação, novamente uma porta entre aberta de onde menos se esperava.

Jamais cogitou a possibilidade de descobrir algo interessante naquela noite, muito menos de se interessar por algo que nunca lhe fora pintado como simpático. Mas a arte do encontro é realmente feita de desencontros e após um ano só ouvindo falar sobre aquela estrela que havia ido embora para longe, nesse dia encontrou-a perdida no meio do cotidiano.

Engraçado como a curiosidade é aguçada quando se ouve falar tantas vezes de algo que você não teve a oportunidade de ver com seus próprios olhos. Então, quando isso acontece, o momento torna-se tão especial que tudo o que existe ao redor parece afastar-se para outro planeta e a órbita gira entorno do acontecimento, desprezando tudo o que não estiver em volta dele.

A viagem interplanetária tomava destinos diversos: Inglaterra, Paris, Canadá, Nova Caledônia, Indonésia e países que ainda nem sonhavam em existir, mas que nasciam naquele momento… um país cheio de oportunidades e pronto para ser desbravado.

Comprei o tíquete para a minha viagem interplanetária, agora preciso marcar a data para começá-la…

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Proibido retornar

novembro 3, 2009

proibido retornar

“Os curiosos atrapalham o trânsito
Gentileza é fundamental
Não adianta esquentar a cabeça
Não precisa avançar no sinal
Dando seta pra mudar de pista
Ou pra entrar na transversal
Pisca alerta pra encostar na guia
Pára brisa para o temporal
Já buzinou, espere, não insista,
Desencoste o seu do meu metal
Devagar pra contemplar a vista
Menos peso do pé no pedal”
(Rua da Passagem – Lenine)

E o trânsito parou há seis anos… Parece que foi ontem que falávamos de setas e retrovisores, e nem nos demos conta de que anos se passaram.

Deparo-me com um ‘18 de setembro’ que agora já traz outras comemorações em teu calendário, não apenas os seis anos, mas um ano e seis meses de outra direção em tua vida. Início da pista dupla.

Difícil não afirmar que não me trazes mais a alegria que sentimos ao ver um semáforo verde, repleto de caminhos a seguir.

A estrada não é curta e eu bem sei o quanto a aproveitamos, passamos por praias, montanhas, igarapés e pontes. Desbravamos fronteiras. Geográficas e íntimas.

É bom lembrar essa data, traz (por um momento) a gostosa sensação de que a terra parou em função do trânsito. E eu que nem queria estar ali naquele cruzamento [que não me pertencia], fui levada de supetão a desviar o caminho.

Lembrança boa que me faz entender agora os caminhos que queres percorrer. Infelizmente parece não ser o mesmo dos meus, queria que fosse, mas não deu, né?

Tudo bem. Tenho visto as placas direcionais publicadas em outros códigos nesta mesma data e isso me faz acreditar que é realmente muito arriscado não respeitar a sinalização.

Realmente é proibido retornar.