Archive for agosto \31\UTC 2009

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Duas semanas

agosto 31, 2009

borboletas

 

Duas semana e  já conheço a sua risada, o seu sotaque, o seu jeito meigo de falar e arrisco até em adivinhar algumas de suas respostas.

O que será que está acontecendo?

 Li ainda a pouco um conto de Caio, o Fernando Abreu, que falava sobre borboletas e loucuras.

Acho que estou também descobrindo borboletas em meio a essa loucura.

Borboletas azuis que saem da minha cabeça e me levam a divagar sobre o futuro e em tudo o que pode vir junto com você.

Carinho apaixonado, desejos compartilhados, sonhos realizados.

Encontro um ouvido sempre aberto para as minhas palavras e faço de mim um porto para teu barco.

Aonde chegaremos? Não é o que queremos saber, por hora.

Vamos velejar. Curtir a brisa, a paisagem e (re)descobri que além de borboletas ainda podemos encontrar flores, mar azul e céu estrelado. Vem comigo?

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Atalho ou desvio?

agosto 23, 2009

caminhos

De você, sei quase nada

Pra onde vai ou porque veio?

Nem mesmo sei qual é a parte da tua estrada no meu caminho?

Será um atalho ou um desvio?

(Zeca Baleiro – Quase Nada)

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De repente

agosto 23, 2009
transa
De repente, olhou-se no espelho e percebeu uma mancha avermelhada em seu ombro esquerdo.
Tocou-a levemente e sentiu um dolorido gostoso e só então lembrou da noite anterior.
 
– Você vai beber? Perguntou ele.
– Não posso, estou dirigindo, respondeu ela (como sempre). Mas de repente completou: – A menos que tenha lugar para dormir aqui.
 
Todos se entreolharam e uma estrondosa gargalhada tomou conta do ar. Ninguém entendeu nada (ou será que todos entenderam tudo?) e ele, meio sem graça, procurou a melhor resposta até dizer: – Tem lugar pro seu carro aqui na garagem. E todos voltaram para suas conversas.
 
Falavam sobre pilantragem, aquela que acontecia recentemente no senado, mas que depois tomou suas variáveis chegando aos relatos de casos verídicos sobre o golpe do rupinol, utilizado em bebidas por prostitutas que roubam seus acompanhantes.
 
Cerveja, vinho, cigarro, jogo do atlético mineiro e outros tipos de drogas. E após muita conversa, estava confusa. Já não sabia se estava fazendo a leitura correta dos sinais que lhe eram emitidos há meses atrás, mas mesmo assim continuou a conversar. Quando de repente ele lhe disse: – Vamos?
– Como assim?
Perguntou ela esperando uma confirmação da resposta. Mas ele parecia tímido demais para lhe falar aquilo que ela queria ouvir.
Continuaram a conversar.
 
Novamente ele disse: – Vamos?
E ela falou. Posso? Gostaria mesmo de conhecer um pouco mais sobre o seu trabalho.
E ele respondeu: Eu disse vamos lá pra dentro.
E agora foi ela quem pareceu tímida demais para responder.
 
Conversaram rapidamente sobre significados, significantes, memórias e o dia seguinte, quando finalmente chegaram a um acordo.
Levantaram-se e foram juntos para dentro e quando a porta se fechou foi como se já soubessem o que ia acontecer. Não apenas por saber, mas era como se já tivessem vivido antes, o que ainda iria acontecer naquela hora.
Cama bagunçada, quarto bagunçado. Uma escuridão quebrada apenas por um pequeno foco de luz que vinha da lâmpada acessa no corredor do lado de fora do quarto.
Beijaram-se como se cada um soubesse exatamente onde deveriam se encaixar e assim fizeram. Encaixaram-se e divertiram-se a noite toda até adormecerem cobertos pela penugem um do corpo do outro.
Quando de repente o despertador tocou. Fora tudo um sonho?
Mas bem que parecia realidade!
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Sumida

agosto 18, 2009

“Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo
quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando
melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro
antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de
lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é
covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque
sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência,
pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu
lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência.”

Martha Medeiros

Criei muitas paradas no caminho e, sem perceber, algumas pessoas foram chegando, chegando e de repente já eram mais que três. Não que eu não as quisesse, mas talvez eu não esteja em condições de mantê-las com a devida atenção que cada uma merece, e por isso estou sumindo aos poucos. Um pouco covarde? Talvez. Mas prefiro acreditar que é um ato corajoso, já que corro o risco de magoar alguém e isso é justamente o que não quero. Apenas peço paciência. O clima é de instabilidade e é preciso preparar-se tanto para chuvas e trovoadas, quanto para sol e claridade. Atentem apenas para a beleza que existe em ambas as estações. Me perdoem se estou sumindo.

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Tiro ao alvo

agosto 17, 2009

alvo

Ainda continuo na correria do trabalho, mas sabes que mesmo em correria as lembranças nos acompanham.

E esta entrou como um tiro certeiro, bem no meio do peito atingindo aquele músculo involuntário sob o qual não temos domínio.

 Lembrei das nossas risadas sinceras por conta de certo brinquedo que ao acertar o alvo, se ganha um prêmio.

O meu prêmio naquele dia foi muito mais que bombons. Foi poder ver em teu rosto o alegre sorriso de quem tinha acertado a felicidade.  E, mesmo parecendo impossível, ao acertá-la, parecia ter capturado-a para sempre.

E foi tão ‘pra sempre’ que até hoje permanece aqui, presente em todas as vezes que passo por aquela barraca de ‘tiro ao alvo’ e vejo você brincando comigo de torcida.

 Boas lembranças.