Archive for junho \17\UTC 2009

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Comemoração

junho 17, 2009

penumbra

No calendário do meu celular comemoramos uma data que passou,
Mas essa comemoração e muito mais que 12.
É 13, 14, 15, 16… Dias infinitos

Se formos contar são mais de dois mil dias juntos. O sexto dos namorados.
Agradeço por escolheres-me para estar ao teu lado,
Mas os caminhos da vida nos levam a paralelas que se encontram mais a frente
E é assim que estás agora: a minha frente…
Repetindo desculpas que já ouvi no passado e hoje nem finjo mais acreditar
Assim como não acreditas que não te controlo mais.
Mas escolhemos assim ser.

Acreditamos no que vivemos e hoje vivemos no que acreditamos
Teus olhos te denunciam um fã de minhas loucuras e
Por isso estás de volta para a minha fila do ‘gargarejo’

A moldura que imprimes é a do teu corpo colado no meu
Reproduzes as mesmas interjeições que nem precisam ser decifradas
Repetes aquilo que apenas uma, além de mim, já ouviu
Um Eu te amo acompanhado de carícias que, a olho nu, parecem brutalidades
Mas que sentida na pele é um dos carinhos que mais gosto: Dominas-me!

A lascividade de teus atos não deixa dúvida de que tudo continua ali.
Intocado, no baú de nossos segredos mais profundos
Aquilo que ninguém jamais entenderá
O porquê de continuarmos juntos depois de tantos e tantas.

Nossa imagem estampada nos reflexos entrega a qualquer expectador a sinopse desse filme
O fundo musical, escolhido por ti, vem acompanhado de legenda: ‘essa música é a tua cara, bem assim: dançando com os bracinhos pra cima’
Amo quando fazes de meu cabelo a coroa que me institui a dona do teu reino, e
Sacio-me em te ouvir dizer que nada se compara ao que temos.

Percebes o tempo do verbo que empregas?  P-R-E-S-E-N-T-E
E esse é o presente por mais essa data
Presente em ti
Presente em mim
Presente em nós

Fazes-me dormir ‘de conchinha’ como sempre, no aconchego do teu colo
Velas meu sono tranqüilo que sempre chega antes do teu!

Fim do primeiro ato: Boa noite, Fer.

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Explode coração

junho 16, 2009

corpos


Chega de tentar dissimular
E disfarcar e esconder
O que não dá mais pra ocultar
E eu não posso mais calar
já que o brilho desse olhar foi traidor e
Entregou o que você tentou conter
O que você não quis desabafar e me cortou

Chega de temer, chorar, sofrer
Sorrir, se dar, e se perder, e se achar
Que tudo aquilo que é viver,
Eu quero mais é me abrir
E que essa vida entre assim
Como se fosse o sol
Desvirginando a madrugada
Quero sentir a dor dessa manhã

Nascendo, rompendo, rasgando,
E tomando meu corpo e então eu
Chorando, sofrendo, gostando, adorando, gritando
Feito louco, alucinado e criança
Sentindo o meu amor se derramando
não dá mais pra segurar
Explode coração

(Maria Bethânia)

Sem forças para decrever o êxtase de hoje, deixo mais uma vez que a música fale por mim…

Vamos dormir… Eu e você!

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Batalhão da Estrela

junho 14, 2009

chapeu arrastao

Abre os olhos, morena
vem ver meu boi
Tá vindo da estrela,
traz batalhão afiado
e o couro bordado
pro contrário ver.

Sei que ele ainda sente saudade
quando vê a bandeira azulada passar pela praça
modelo de graça do meu são João.

Do arraial que é do sol
do arraial que é da lua
do povo na rua
do meu guarnicê.

Canta, Vardé!
Vardé das cuieiras
que eu estrondo lá fora
e quando eu for embora, contrário
nesse adeus é que tu choras.

(Arraial do Pavulagem – Cd’s: “Gente da nossa terra”, “Arrastão do pavulagem” e “Ao vivo”)

“Lá vem meu boi lá vem pelas ruas de Belém…”

Chapéu de palha, fitas coloridas, estrela que pulsa no lugar do coração

Um batalhão que veste azul, sob o comando de um perna de pau

São maracas, matracas, recos, barricas, alfaias, marabaixo, onças

Instrumentos que compõem a toada desse boi

Afinados na cultura popular desse Estado que é o Pará.

Começa o folguedo junino em honra a Santo Antônio, São João, São Pedro e São Marçal

Celebrados por uma multidão que toma a Av. Presidente Vargas colorindo a rua

Rua que ficou pequena para acolher adereços, bonecos, bandeiras de santos e mastros

Esse é o cortejo do boizinho a bailar

É quadrilha, mazurca, carimbó, pássaro. Ritmos que coreografam o corpo e nos fazem dançar

Boi Pavulagem é teu nome e brilhas ao sol do meio dia trazendo teu batalhão

Batalhão do povo. Batalhão de estrela. Meu batalhão!

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A este 13 de junho

junho 14, 2009

casamento

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa, 2-8-1933.

Pelo dia 13 que passou sorrateiro,
Pelo dia de Santo Antônio, o casamenteiro, e
Pelo dia de Fernando, o Pessoa, meu fiel escudeiro!
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Amar

junho 12, 2009

namorados

Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuido pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa
amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

Pelo dia dos namorados…

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O Amor Antigo

junho 11, 2009

Carneiro

O amor antigo vive de si mesmo
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino não nega a sentença. O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

(Carlos Drummond de Andrade. Obra completa, Ed. Aguilar, “Notícias Amorosas”, Pag.346) 
Para o meu amor antigo que continua presente!
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Silêncio

junho 10, 2009

“Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
– nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio”

Clarice Lispector
Shiiii…