Archive for maio \25\UTC 2009

h1

Algum dia você poderia?

maio 25, 2009

 

Manchei o mapa quotidiano
jogando-lhe a tinta de um frasco
e mostrei oblíquoas num prato
as maçãs do rosto do oceano.

Nas escamas de um peixe de estanho,
li lábios novos chamando.

E você? Poderia
algum dia
por seu turno tocar um noturno
louco na flauta dos esgotos?

1913
(Poemas – Vladímir Maiakóvski. Trad. Haroldo de Campos. Tempo Brasileiro, 1967, p. 53)

Pelo lobo em pele de ‘Carneiro’ que ronda minha alma novamente a tocar a mesma melodia que hipnotiza e faz-me desgarrar dos caminhos propostos…

h1

Um dia frio

maio 21, 2009

Um dia frio
Um bom lugar pra ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide

Longe da felicidade e todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo
És manhã na natureza das flores

Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia, nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você

E tudo nascerá mais belo
O verde faz azul com o amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris

Era exatamente isso, um dia frio.
Frio porque estávamos longe um do outro e o calor dos nossos corpos não conseguia ultrapassar a distância de quase 2000 km geográficos que nos separava. 
Sua mensagem chegou como pombo correio, que traz boa notícia e planta um sorriso em meu rosto.
Suas letras sempre me impressionam.
Confesso esperar sempre menos do que me ofereces.
E sempre me ofereces muito, o suficiente para deixar-me dias a pensar em ti.
Queria ter um tele transportador para chegar até você, de surpresa, e dizer aqui estou… de todas as formas… assim como pedistes!
h1

Cansei

maio 20, 2009
cansei
Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar, ao menos mande notícias
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante
Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar a minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar…
(Na sua estante – Pitty)
Cansei!
Cansei das tuas desculpas, das tuas mentiras, dos teus jogos de palavras. Perdi as forças pra continuar essa luta do meu exército de um homem só. Quero paz! Quero amor! Quero carinho! Esse é o meu manifesto de libertação. Não me procure aqui, ali ou acolá, nem ultrapasse quilometros atrás de nossas viagens. Apenas fique onde está. Não te procurarei e não me procurarás. Assim talvez encontremos a saída…
h1

O Cravo e a Rosa

maio 17, 2009

cravo

Ninguém percebeu, mas eu percebi a rua que passava em frente a minha casa, e foi então que resolvi atravessá-la
Do outro lado descobri um cravo… Não, não era uma rosa. Era um Cravo!
E eu que outras vezes já havia por ali passado, hoje prestei atenção e vi que era um cravo diferente.
Apesar de novo, ele sabia exatamente o porquê de estar ali.
Cumpria sua tarefa de perfumar o dia e, mesmo já passado das 10h da manhã, ele ainda esperava por sua rosa.
Pois bem, cheguei e sem perceber o quanto ele me envolvia fui levada pelo seu cheiro.
Passeei pela rotina: oficina, caixas eletrônico, lojas de departamentos… Qual é o seu palpite mesmo para o guarda roupa? Preto, branco? Ah, com espelho!
O cravo levou-me para almoçar e apresentou-me, por outro ângulo, um lugar que eu já até conhecia, mas que em sua presença ficara mais alegre e eu diria até mais bonito.
Percebe como cravos embelezam até as situações mais fúnebres?
E assim foi durante toda a tarde e entrou pela noite… Acompanhou-me em roda de amigos e levou sua docilidade por toda a madrugada.
Adormeceu ao meu lado, como ‘criança com a boca aberta’ e fez-me feliz novamente ao amanhecer, com um doce bom dia.
Estou cutivando-o…
 
h1

Lembranças…

maio 17, 2009
contrabaixo
“Neném olha que te quero comigo
mas sei que estou na tua gatinha coisinha
te quero bem, te quero bem
Neném agora deixa de besteira, bobeira
pois de qualquer maneira a vida é tão passageira
por isso vem!
Eu sei que deste jeito esta coisa acontece comigo
sua timidez que me faz te amar
pra ficar seguro você me oferece um abrigo
pois o teu encanto que me contêm
Vem neném!”
(Harmonia do Samba)

 

Ia sair daquele lugar e, de repente, pensei em te ligar. Foi quando descobri que também estavas lá. Impossível parar o pensamento e não deixá-lo retroceder alguns anos, quando tudo isso ainda fazia parte da minha vida.

Viagens, aeroportos, van, hotel, passagem de som, show, fãs, autógrafos, ciúmes… Coisas boas que ficaram marcadas na memória e que me fazem querer relembrar.

Digo relembrar porque é apenas isso que quero: viver, em memória, coisas boas do passado; e não reviver no presente, coisas que lá atrás ficaram.

Decidi ir além e, depois de tantos anos, acompanhar-te de novo em um único show.

O frio na barriga começou na espera. Assim como antes, chegavam um por um, e também de um por um surpreendiam-se com a minha presença.

“Você vai pro show?”  Sim! [Apesar de cansada e com a tal ‘responsabilidade’ cutucando o meu ombro para não ir, eu disse sim!]

O caminho até o local do show me fez voltar no tempo, época que em minha cabeça acontecia um turbilhão de sentimentos onde eu tentava entender o que eu fazia ali.

Agora eu sei a resposta!

Precisava ter vivido tudo aquilo para chegar à calmaria da tua amizade.

Era necessário ter conhecido tão de perto, teus erros, teus acertos e tuas dúvidas para chegar à certeza de que nossos corações sintonizar-se-iam na mais pura melodia da ternura.

As luzes acendem-se e entras no palco.

Tomei o lugar que há tempos não ocupava e mesmo sem a mínima intenção reconheci o olhar, o sorriso e a meiguice que me cativou.

Mesmo querendo evitar, foi impossível segurar a emoção ao ver te [e ouvir] tocar aquela música, a primeira de todas. A mesma que me levou até ti e a que até hoje me rouba o pensar toda vez que a ouço tocar.

A lucidez do que sinto faz-me declarar o amor que te tenho. Não amor carnal, mas amor de quem te quer bem, do fundo da alma.

És especial, e agora mais ainda por seres de Deus.

Apesar de nunca ter te dito, confesso: Tens lugar cativo em minha galeria, na seção dos mais amados!

* Escrito dia 27/05/2009, após a ‘melhor segunda-feira do mundo’, em SP
h1

Virada Cultural

maio 5, 2009

virada

Tampinhas de garrafa pet também são cultura…

Quem diria que várias tampinhas de garrafa pet poderiam soar tão harmonicamente?

E de quem foi essa idéia?

Olhares diferentes, descoberta de novos sons, novos formatos e novos ruídos.

Ruídos que sincronizados aleatoriamente não fazem barulho, fazem música.

São inovações de um olhar musical que só se encontra em uma ‘virada cultural’

Aproveito para (re)virar-me culturalmente.

Reggae, hip hop,brega, música eletrônica, música clássica… São todas as sonoridades em uma única noite, em um único lugar que ao mesmo tempo são vários lugares, várias pessoas.

Bom poder estar aqui, bom poder viver tudo isso, bom também ter a sua companhia… a mais cultural possível!

h1

Avião

maio 5, 2009
Pode quebrar, sofrer, cair, descer, contorcer de dor
Não vou mais me prender a você, fazer o mesmo show
Vou bater na porta da vida, receber e pagar
Sem ter que me entregar a ninguém, seu mundo pra mim é pouco eu quero a paz e viver solto
Vai dizer que sou louco sou não
Eu me cansei de ser seu avião não vou voar não
(Djavan)
Porque sempre apareces quando já decidi não ver-te mais?Vens colocar-me a prova das tentações que me trazes quando por perto?E eu, por minha vez, porque não resisto?Estou deixando a porta entreaberta para veres que fico feliz quando estas longe, mas sei que corro o risco de querer que fiques.

Só uma certeza me domina agora: o que quer que seja quero que seja meu, completo, todo e total.